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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Mais uma carta do Tarot, para mim


Caríssimo, como o post anterior, esta carta foi tirada no dia 10 deste mês, mas só agora te entrego.

... então pedi hoje mais uma carta do Tarot, para mim. Pedi uma carta que falasse de minhas atitudes atuais, da minha postura. Queria ver-me nelas.

Saiu OS AMANTES invertida.

A carta fala justamente, do perigo de se preservar a distância, talvez para proteger a própria independência. Contudo, é um auto-controle exagerado - o sintoma da irritação. Pulsante, mas atrás da montanha.

É tapa amigo pois é fato - perceber que toda uma energia de conhecimento esteja mal canalizada, evitando-se a sua implementação efetiva. Tudo até conspira, mas o elo não se fecha. É amigo é fato, pois parto para um pacto, para uma tentativa que me torne acima de mim mesmo, quiçá, quem sabe - pairando nas nuvens.

Há uma montanha a transpor, mas fechado em meu cerco é que não posso partir para o seu cume... mas tenho em ti meu cúmplice.

terça-feira, 14 de julho de 2009

As cartas do Tarot

Caro Catavento, como sei que tu não tens me lido mesmo, o biltre, envio-te só agora, cartas que tirei no Tarot, pensando em ti, pensando em nós... O que abaixo está, foi pensando no dia 9 deste mês, mas só agora te remeto

Andamos tão distantes e parece que há tanto tempo, que nem sei como o tempo passa assim e tão poucos diálogos impetramos.

Obnubilado pelo lado da Lua que tem me perturbado bastante esses dias; tirei hoje uma carta do Tarot em nossa intenção.

Saiu uma carta do naipe das copas. Carta emblemática, pois já saiu anteriormente, quando também indagava sobre as minhas parcerias, daí, em 2005 saiu uma em intenção à minha velha amiga e irmã, que tu bens conhece.

Acho esta carta belíssima não apenas pela semântica, mas também por sua ilustração, ser uma das mais simétricas do baralho a eqüidistância dos corpos à cabeça alada do leão. O bastão de Hermes que faz a ponte entre os seres na terra e nos céus.

Uma das interpretações desta carta fala da REALIZAÇÃO ENTRE DUAS PESSOAS onde a troca de amor, compreensão, disposição para comunicação e mudança (que são a base para a satisfação emocional, relações bem-sucedidas e encontros), aqui, no momento da carta, realiza-se plenamente. A carta simboliza, portanto, este "ENCONTRAMENTO".

A carta fala de compartilhar - PARTILHAR COM o outro. Trocar taças, experiências - buscar o equilíbrio das balanças, no mesmo sentido das emoções que dialogam.

A carta fala ainda, de repartir. Chamar os colegas distantes para confraternizar.

A carta pede que as mensagens sejam transmitidas, pois no remetente, já pousa o destinatário.

Amigo, cata ventos e traga-os para cá; mas me conta, faz contas comigo e intuamos o que nos diz esta carta...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma flor, para Catavento catar

Quando flores não cabem no papel, são arrancadas e lançadas ao vento.
Não lamento que o sentimento seja tão perene quando tudo murcha, pois tudo passa sobre a terra, menos o que registramos em nossos corações.
Aniversariar é lançar flores de dentro de si. É abrir-se quando o renovo se instala.
Oxalá nossos corações sejam sementes que tragam ao mundo, sem medo, novos amanheceres.

sábado, 16 de maio de 2009

Para Cata vento catas

Caríssimo nobre amigo!

Cercado de minhas plantas, aqui no meu pequeno jardim, aquele que tu sabes bem, carrego sempre comigo; a lembrar-me dos dias em que tu, ainda bem jovem, andavas inquieto e absorto na biblioteca de minha casa.

Teus olhos rasgavam ferozes as lombadas e as capas, num inquieto ato que queria engolir o universo; e assim, deglutir e regurgitar algo de si. Assim sendo, tu destes às vozes que trazes dentro de ti a construção dos teus próprios alicerces e castelos - não de areia e pedra; mas sustentados por poderosas nuvens de um inexistir profundo, que materializam-se aos poucos, para que subsistam por si mesmos.Nunca tivemos, tu bem sabes, aquela incestuosa relação de mestre-aluno, pois temos em vista bem clara, que ainda muito falta para que aprendamos juntos. Assim, meus velhos cadernos de caligrafia, de fotos, de recortes, de desenho, de anotações de viagem e de jogos; eram sorvidos por ti de uma forma sem censura, como quem entende bem da existência de fantasias. E os meus molesquinos ficavam ali, expostos, sem o risco de serem molestados ante a ta voraz fome muda de mundo.

Mais um aniversário teu se avizinha nobre amigo, e se afasta de mim o discernimento para o teu presente. Buscarei nos meus molesquinos, anotações que me indiquem o que pode ser interessante para um jovem aluno como tu. Algo que caiba aspas, ou que caiba entre aspas...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma escrita para teus ouvidos...



Catavento escuta, pois escrevo para os teus ouvidos: tu sabes melhor do que eu, que meus delírios advém das nuvens nas quais me escondo desde a absorta aura de meus dias. Dificultoso fica, portanto, aportar aqui meus apontamentos referentes à nossas histórias. Tu bem sabes, ainda, o quão trabalhoso é expor ao (virtual), questões tão caras para mim.

Sabemos que apesar de passar muitos tempos, lá em cima, acima das nuvens; prescruto-te de lá, sempre cuidadoso com teus afazeres e suas demandas. Não (é claro!), tu também, bem sabes, que esteja acima ou além de ti; mas minha cabeça anda acima das nuvens, estando os pés sobre elas, ou mesmo, aqui em terra firme.

Esta propriedade que possuo - dom extraordinário para os ordinários, de pôr-me à troposfera, tornando-me um singular e aliterante alienado alado.

As asas que porto (à cabeça) e nos pés são o diálogo entre a psicologia e a astrologia, que traçam o micro ao macro, que dão amplitude ao que é ínfimo - particular, o que me alça para além, quando nem saio de mim. Este comportamento próximo de Mercúrio, das instabilidades e oscilações, interpelam-se ao de Saturno, que tende ao melancólico, solitário e contemplativo, no qual me encontro na maior parte das vezes. Os antigos já nos ensinaram, que o temperamento de saturnino é próprio dos artistas, dos poetas, dos pensadores, e essa caracterização me parece correta. Lembro bem, do que me disse o saudoso Ítalo Calvino: "é certo que a literatura jamais teria existido se uma boa parte dos seres humanos não fosse inclinada a uma forte introversão, a um descontentamento com o mundo tal com ele é, a um esquecer-se das horas e dos dias fixando o olhar sobre a imobilidade das palavras mudas. Meu caráter apresenta sem dúvida os traços tradicionais da categoria a que pertenço: sempre permaneci um saturnino, por mais diversas que fossem as máscaras que procurasse usar."

(Mercúrio e Apolo, de Francesco Albani)

Assim somos nós Catavento, saturninos, que sonham ser mercuriais e tudo que vivemos e escrevemos se ressente dessas aspirações. Atribuo-o, contudo, este aspecto saturnino, que tanto me move para além e é bem próprio aos artistas e poetas como nós. Daí ser tão circunspecto e introvertido, tão vertido em sibilantes nuvens.

Olha Catavento! Vede como me arrebato tão grandiloqüente em meus pensamentos, como quando passamos horas e horas em vastas conversas sem fim. Mas também sigo, assim, bandido de mim mesmo, a subtrair-me os tempos que deveria passar mais contigo. A assim, eis-me aqui caro amigo; estou contigo por onde tu queiras catar os ventos que nos alçarão vôos catapultais!

Apresentam-se as coordenadas aos poucos de nossos próximos passos; pois cada vez que decolo contigo, nos balões de tua/nossa imaginação, somos sugados por redemoinhos.

Que moinhos nos movam! Que alcemos vôos maiores!