terça-feira, 14 de julho de 2009

As cartas do Tarot

Caro Catavento, como sei que tu não tens me lido mesmo, o biltre, envio-te só agora, cartas que tirei no Tarot, pensando em ti, pensando em nós... O que abaixo está, foi pensando no dia 9 deste mês, mas só agora te remeto

Andamos tão distantes e parece que há tanto tempo, que nem sei como o tempo passa assim e tão poucos diálogos impetramos.

Obnubilado pelo lado da Lua que tem me perturbado bastante esses dias; tirei hoje uma carta do Tarot em nossa intenção.

Saiu uma carta do naipe das copas. Carta emblemática, pois já saiu anteriormente, quando também indagava sobre as minhas parcerias, daí, em 2005 saiu uma em intenção à minha velha amiga e irmã, que tu bens conhece.

Acho esta carta belíssima não apenas pela semântica, mas também por sua ilustração, ser uma das mais simétricas do baralho a eqüidistância dos corpos à cabeça alada do leão. O bastão de Hermes que faz a ponte entre os seres na terra e nos céus.

Uma das interpretações desta carta fala da REALIZAÇÃO ENTRE DUAS PESSOAS onde a troca de amor, compreensão, disposição para comunicação e mudança (que são a base para a satisfação emocional, relações bem-sucedidas e encontros), aqui, no momento da carta, realiza-se plenamente. A carta simboliza, portanto, este "ENCONTRAMENTO".

A carta fala de compartilhar - PARTILHAR COM o outro. Trocar taças, experiências - buscar o equilíbrio das balanças, no mesmo sentido das emoções que dialogam.

A carta fala ainda, de repartir. Chamar os colegas distantes para confraternizar.

A carta pede que as mensagens sejam transmitidas, pois no remetente, já pousa o destinatário.

Amigo, cata ventos e traga-os para cá; mas me conta, faz contas comigo e intuamos o que nos diz esta carta...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ABDUZIDO E ABASTECENDO

Campo minado de mim mesmo, quando pairando nas nuvens eu me abasteço.

Catapultado noite inteira adentro, pela tormenta que foi me colocar prostrado perante ela, que ali, de lá, lançava-me luz. Absurdamente inchada em sua forma alargada, de tão cheia, parecia querer estourar maduríssima no céu.

Nuvens têm formas de nós de quando estamos azuis de imensidões. E nas imensidões nem posso me perceber, tamanho meu tamanho se apequena. E assim, pequeno e pueril, permiti-me.

Sobre um repolhudo cogumelo verde que sob um céu felpudo se põem eu me absinto.

E assim saio, como entrei - sem nada dizer, simplesmente por ter sido abduzido.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Montanha de poeira (ou, da substância de todas as coisas que existem)

De dias em dias eu varro a minha casa. Junto num montinho toda a sujeira acumulada pelos cantos, escondida ou aparente.

Na poeira há dejetos não apenas dos particulados suspensos no ar, que vem voando do ambiente externo, para o meu espaço interior; há ainda, despojos materiais de mim mesmo - do que consumo e do que expurgo de meu próprio corpo, tudo que de mim foi organicamente rejeitado.

(Bio)síntese direta, metáfora adequada à minha condição de eu neste mundo, pois do constante consumo intelectual, religioso ou emocional - regurgita-se e se volta para fora, para além de mim. Transbordado. Reciclado. Recondicionado.

No pó eu vejo o quanto eu já fui. No pó eu vejo o que eu sou.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Suspenso


Plantado à frente do vaso com lanças de São Jorge, num pós São João e antepondo-me a um São Pedro, eu estava.

O opaco da manhã chuvosa pesou sobre mim. Nebuloso em conjunto com o que me circundava, fiquei.

Parecia mais uma marionete de mim, aquietada solenemente numa cadeira de tranças de couro, quando o meu como, comigo não se comutava.

Mas como estava fiquei. E assim sendo, parei pairando nas nuvens, pensativo e suspenso.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

No dial todas as possibilidades


Depositou- a sobre o velho rádio e foi ao banheiro.

E eu, que poderia ter pego-a, escondido-a; nada fiz. Parecia absorto, noutro mundo, como que pairando nas nuvens; mesmo sabendo, que armas não podem ficar ao alcance de crianças. E ele, não passava de uma crescida criança.

Mas dali de onde estava, apartados pela porta do banheiro, puxei conversa:

- Não gosto tanto assim de música, a ponto de preencher com elas meus tempos vazios. Tu bem sabes, prefiro ficar imóvel (bem que esta postura pode ser a mesma dos apreciadores musicais), mas assim, inerte; ficaria dedilhando palavras, compondo fraseados.

Muito menos é o aparelho-rádio-mídia que me encanta e sim, o canto de cada vogal conjugada com seus pares, numa orquestração sem fim.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Das cabeças férteis aos pés pairando nas nuvens


... um cenário é a casa, é o teatro, é a rua que adentrou a porta da casa, que serve de cenário...

O cenário é a fantasia. É a preparação de uma história a ser contada e à qual muitos esperam ansiosamente, com suas cabeças - terrenos sempre férteis - e pés pairando nas nuvens - terrenos sempre abstratos.

E por que esperar alguma coisa, quando o já é é agora? O dial está à frente; afrontando as variadas possibilidades existentes.

Há sintonia?

Há sintomas!

domingo, 21 de junho de 2009

O sol que entra, ao mesmo tempo que o inverno chega

{Há histórias que se moldam a outras, que se justapõem, que se complementam; e nesta convergência, permitem ainda, outras possibilidades. Assim é. Ininterrupto.}

A sala vazia e aberta trás rasgos da manhã que resplandece. A porta já não detêm os impulsos humanos, pois esses não são sãos e em vãos se vão...
A sala vazia vaza. Tudo que ali foi vivido, esmaece.
Não se permitindo sepulcro, escancarada fica, aberta às nuvens que pairam lá fora.
E assim, a sala segue sendo silenciosa.